Desenhista Diego José Lima criou cadastro na Internet
para publicação da revista em quadrinhos Oigo
Fazer uma vaquinha para atingir uma meta faz parte do meio virtual. As campanhas vão para além da troca de emails e já acontecem em sites especializados no assunto. Mas tanto quem pede a ajuda quanto quem se presta a contribuir precisa tomar cuidados para usufruir desse tipo de recurso sem ter prejuízo.
Num desses sites, o Catarse, um prazo é estipulado e caso a meta não seja atingida, todo o dinheiro é devolvido aos doadores. Além disso, o autor da campanha fornece “prêmios” de acordo com o montante da doação. Pode ser uma dedicatória no livro publicado ou agradecimentos no CD, por exemplo. Quanto ao site, fica com uma porcentagem do que é arrecadado.
Para o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF-CE) esse tipo de relação na Internet não envolve tantos riscos. “Quem está pedindo não tem grandes expectativas e quem doa não espera nada em troca. Então, geralmente a relação de confiança já existe”, explica.
A professora do curso de Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC) Alesandra Araújo alerta que quem pretende doar deve checar os responsáveis pelo projeto. “O ideal é que você conheça aquela pessoa ou, conheça quem conhece. Se isso não acontecer, deve-se pesquisar”, orienta. Uma dica da professora é procurar em sites de reclamações de consumidores, para o caso de haver algo que comprometa a organização envolvida.
Planejamento
Para quem quer começar uma campanha, duas palavras: planejamento e transparência. “Quando se realiza um projeto, 70% do tempo gasto com ele é planejando”, explica Alesandra. Essa parte, segundo a professora, é fundamental para evitar surpresas desagradáveis, como descobrir que o dinheiro arrecadado não cobre todas s despesas. Ela alerta também que metas a longo prazo precisam levar em conta os índices de inflação.
Para conquistar doadores, Ênio ressalta que é importante comunicar-se bem e ser objetivo para que o público tenha clareza sobre o que se trata. “Quem vai se identificar com esse projeto? De que forma vou atrair esses doadores? Tem que se perguntar isso, sempre”, ensina.
E depois de terminada a campanha, tendo sucesso, o ideal é disponibilizar uma prestação de contas aos doadores. Em caso de metas ultrapassadas, dividir o excedente entre quem ajudou ou ainda, melhorar o projeto inicial são alternativas. “Acho a segunda opção mais realista. Mas o principal é ter transparência”, reforça Alesandra.
Campanha em curso
Alguns familiares e amigos do desenhista Diego José Lima podem até não fazer o cadastro na Internet para colaborar com seu projeto, mas o artista está confiante de que vão ajudar. Ele tem até 5 de outubro para arrecadar R$ 2.700 para a impressão de 500 cópias com a 2ª e 3ª edição de sua revista em quadrinhos, a Oigo. “Uma pessoa já entregou a contribuição pessoalmente e outras falam que vão fazer o mesmo”. Ele percebe que há resistência em se cadastrar no site e principalmente, de colocar o número do cartão de crédito na Internet. Também já notou que os colegas não querem pegar fila para pagar em boleto. “Mas o importante é que me ajudem”, torce.
Sucesso
Para o ator cearense e coordenador do coletivo artístico “As Travestidas”, Silvero Pereira, a campanha online foi essencial para realizar o projeto Translendário 2013. “Eu já conhecia o site Catarse e já tinha contribuído para um projeto. Achei confiável e resolvi fazer uma campanha também”. A meta de R$ 10 mil foi ultrapassada e o grupo arrecadou R$ 11.990.
Quem também foi bem-sucedida em sua campanha foi a jornalista e cantora Rosanne Rocha. Natural de Maceió e com o sonho de lançar seu primeiro CD, ela conseguiu patrocínio e favores de amigos do meio artístico. Com recursos próprios, pagou músicos, taxas, a gravação do disco e fez vídeos para divulgar o projeto.” Para sua surpresa, cerca de 70% de quem a ajudou nem mesmo a conhecia” (Sheryda Lopes)

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