sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Mantega reduz previsão para PIB e diz que alta do dólar é passageira

Expectativa de PIB para este ano foi reduzida de 3% para 2,5%. 
Valorização do dólar é 'movimento transitório', afirmou.




O governo já admite que a economia brasileira vai crescer menos que o esperado. Em entrevista ao G1, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira (22) que a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013 e 2014 será revisada para baixo.
“O governo vai trabalhar no orçamento de 2014 e no relatório que vamos ter no mês que vem com a revisão do PIB para 2013. A revisão será para 2,5%”, disse ele. A última previsão oficial, divulgada em julho no orçamento de 2013, apontava para uma alta de 3% no PIB deste ano. Em dezembro de 2012, também em entrevista exclusiva ao G1, Mantega afirmara que a previsão era de alta de 4% no PIB deste ano.
Com relação a 2014, o ministro disse que a previsão, que “era 4,5%, vai passar para 4%”.


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, falou ao G1 
nesta quinta-feira (21) (Foto: Darlan Alvarenga/G1)

Câmbio
Falando sobre a alta do dólar – que na quarta-feira atingiu R$ 2,45, a maior cotação desde dezembro de 2008 –, Mantega afirmou que ela é passageira.
“Essa excesssiva [alta] é passageira. Para onde vai, nós não sabenos. Mas acho que depois da turbulência do Fed, ela volta para patamares menores”, disse, destacando que, para o governo, não é bom um dólar num patamar elevado.
Segundo Mantega, a alta do câmbio é um "movimento transitório", cuja causa já foi identificada.
"É um movimento dos títulos americanos e das ações do Banco Central americano. E elas vão refluir em algum momento". "O importante é que nosso câmbio é flutuante, e que flutua em todas as direções", afirmou.

PREVISÕES DE MANTEGA PARA O PIB DE 2013

Dezembro de 2012   Mantega prevê PIB de 4%
Março de 2013        Ministro diz que alta deve ficar entre 3% e 4%
Junho de 2013        Mantega vê PIB 'caminhando' para 3%
Julho de 2013         Previsão cai de 3,5% para 3%
Agosto de 2013      Previsão é reduzida para 2,5%

O ministro se referia ao programa de estímulo monetário dos Estados Unidos, que vem injetando dólares no mercado ao recomprar títulos – e que pode ser encerrado em meados do próximo ano, segundo o Banco Central dos EUA.
Combustíveis
Com relação a um possível reajuste dos combustíveis, Mantega reconheceu que a alta do dólar pressiona os custos da Petrobras, mas disse não ver necessidade de um aumento automático em função da desvalorização do real.
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"Não é automático, mesmo porque não sabemos quando vai voltar [a taxa de dólar a patamares mais baixos], se vai ficar, não vai ficar. Tudo isto é uma incógnita. Tem que esperar para ver", disse.
Questionado se um novo reajuste nos preços dos combustíveis seria inevitável, ele disse: "Não é questão de ser evitável ou não. Todo ano a Petrobras reajusta o preço da gasolina e do diesel, isto é normal. Não há número fixo de reajuste [no ano]. Pode ser 1, 2, 3. Há uma tendência de convergir com o preço internacional. O que não pode passar para o preço é uma turbulência passageira porque senão os preços estariam endoidados".
Leilão de energia
Mantega informou ainda que o governo decidiu melhorar as condições de financiamento para melhorar a rentabilidade dos projetos de termelétricas a biomassa e de pequenas centrais hidrelétricas que irão participar do leilão de energia marcado para a próxima semana.
“O prazo de financiamento passou de 16 anos para 20 anos”, disse, acrescentando que o governo também diminuiu as exigências de capital. “isso vai reforçar este leilão na semana que vem”, avaliou.
Segundo o ministro, o governo ainda irá detalhar aos investidores as novas condições.

tópicos:Guido Mantega (G1)

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