quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Nem Marco Feliciano, nem Joelma me representam!

E eu achando que Marco Feliciano já era demais para a minha realidade, eis que me surge Joelma, aquela mesmo das botas bregas e do aplique estranho, com uma declaração ridícula sobre gays serem iguais aos drogados.
Tudo bem cada um ter sua opinião e seu gosto particular, não vou questionar isso, mas eis que esbravejar a ignorância na cara da sociedade é demais. Não sei o que se passa, além da intolerância e do preconceito, na cabeça desses dois indivíduos.
Joelma foi completamente infeliz em sua recente entrevista ao falar dos gays. E gente, é sério isso. Pior que é sério mesmo. Parece até brincadeira de primeiro de abril. Mas, infelizmente, não é. Parece piada, mas infelizmente é o Brasil em que estamos vivendo.
Ignorância Joelma de ser: “Tenho muitos fãs gays, mas a Bíblia diz que o casamento gay não é correto e sou contra”, disse Joelma, acrescentando que, se tivesse um filho nessa situação, “lutaria até a morte para fazer sua conversão”. “Já vi muitos se regenerarem. Conheço muitas mães que sofrem por terem filhos gays. É como um drogado tentando se recuperar”.
Nosso Brasil, além de Joelmas e de preconceitos, colocou, em sessão fechada, pois a democracia aqui está cabreira, Marco Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. O mesmo que falou mal dos negros, dos gays e ainda disse que as mulheres deveriam voltar para as panelas e pararem de trabalhar.
Ignorância Feliciano de ser: “Sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, Aids, fome… Etc”.
Preconceito pouco seria bobagem, né? Mas só quem viveu na pele sabe o que é sofrer pela ignorância alheia.
“Eles estavam no posto 104, em frente ao freezer das cervejas, ombro com ombro, mãos quase se encontrando e entrelaçando-se… Felizes em um sábado de agosto. Namorando a mais ou menos um ano, trocavam carícias escondidos com medo do julgamento social e em meio a um beijo na bochecha, mal perceberam que um animal os observava.
E o animal, fazendo jus à falta de consciência, desferiu, sem fins e meios, sua ignorância em socos e pontapés naqueles dois jovens gays.
Entre um murro e outro, um dos agredidos perguntou por quê? Por que eu?
E a resposta foi: Viadinho merece apanhar.”.
Essa historinha aqui não foi inventada para deixar a crônica mais bonita. Essa historinha aconteceu de verdade com dois amigos. Essa historinha me fez ter pesadelos durante meses. Essa historinha me fez desacreditar na humanidade. Essa historinha significa mais do que injustiça, significa impotência no sentido de não poder ser o que se é. Essa historinha, assim como Feliciano e Joelma, me faz ter ânsia de vômito. Essa historinha acontece diariamente com gays, negros, mulheres…
E em um país em que a bandeira verde e amarela diz Ordem e progresso, vivemos o regresso dos direitos humanos e a desordem da ignorância religiosa.
Até quando teremos que lidar com Joelmas e Felicianos?
Até quando teremos que nos esconder?
Até quando as leis só terão valor nos papeis?
Até quando os homossexuais serão filhos do Diabo e os intolerantes filhos de Deus?
Até quando as pessoas vão achar que ser gay é uma questão de escolha?
Até quando mulheres serão estupradas por serem mulheres?
Até quando negros serão chamados de pretos não pela cor, mas sim pela diminuição do ser?
Até quando o amor é errado por ser do mesmo sexo?
Achei que em pleno século da informação, da internet, do conteúdo rápido e fácil a todos, tivéssemos pessoas mais informadas e menos burras. Mais eis que eu estava errado e a ignorância religiosa é cega.
Nem Marco Feliciano, nem Joelma me representam.
Mais amor e menos ignorância, por favor.
Mais amor e menos Joelma, por favor.
Mais amor e menos Feliciano, por favor.
Mais amor e menos intolerância, por favor.
Mais amor, por favor.
E como já musicou Los Hermanos: “Pra nós todo o amor do mundo. Pra eles, o outro lado”


Nenhum comentário: