terça-feira, 24 de setembro de 2013

Marcelo Pesseghini misturava ficção e realidade, diz laudo

Complicações de uma doença mental aliadas a fatores externos levaram o adolescente Marcelo Pesseghini a assassinar a família e cometer suicídio, no início de agosto, em São Paulo, apontou o laudo psiquiátrico. De acordo com o psiquiatra forense Guido Palomba, responsável pelo documento de 35 páginas, a conclusão é que a motivação do crime foi psicopatológica. A análise foi baseada em entrevistas e depoimento de pessoas próximas a Marcelo, como médicos, amigos e professores. 

O laudo mostra que o garoto sofria delírios, causados pela falta de oxigenação no cérebro (encefalopatia hipóxica). A situação pode ser comparada à de Dom Quixote, personagem criado por Miguel de Cervantes, que perde a razão e inicia uma viagem para combater inimigos imaginários. Ainda segundo o documento, aos dois anos de idade, Marcelo sofreu uma complicação durante um procedimento hospitalar, que resultou em uma lesão do cérebro. Desde então, o garoto passou a sofrer delírios, confundindo ficção com realidade e quis se tornar justiceiro. 
Inspirado em um jogo de videogame, o menino criou um grupo imaginário de assassinos e passou a vestir um capuz. Um dos obstáculos a ser superado era "eliminar" os parentes superprotetores. Segundo Guido, Marcelo não se matou por arrependimento, mas por fracasso. 


O prazo para conclusão do inquérito foi prorrogado até 5 de outubro e pode haver nova prorrogação de mais 30 dias. 

Fonte: O Globo