segunda-feira, 22 de julho de 2013

Chegada do papa gera protestos e para trânsito no Rio

Grupo convocou protesto no Palácio Guanabara; prefeitura preparou esquema especial nas ruas
A chegada do papa Francisco para a JMJ (Jornada Mundial da Juventude) ocorrerá nesta segunda-feira (22) em meio a protestos e interdições no trânsito da capital carioca. A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) ressaltou recentemente que "grupos de pressão" na cidade poderão atrapalhar o evento católico. Repetindo o clima de desconfiança da população visto na última JMJ de 2011 em Madri — quando protestos deixaram 11 feridos e marcaram a visita do líder na Espanha — pelo menos dois protestos já estão programados para ocorrer durante o evento que começa nesta semana no Rio de Janeiro. Uma destas manifestações terá lugar já nesta segunda-feira em frente do palácio da Guanabara, sede do governo do Estado, quando o papa será encontrará a presidente Dilma Rousseff. A recepção foi fortemente criticada pois custará cerca de R$ 850 mil aos cofres públicos. Este protesto foi convocado pelas redes sociais sob o título de Ato na recepção do papa e conta com mais de 8 mil confirmados. De acordo com a página do evento, seu principal tema será: "os gastos públicos de R$ 118 milhões pela vinda do papa". Outra manifestação, também divulgada pela internet, será realizada na sexta-feira (26) em Copacabana durante a celebração de um dos eventos religiosos programados para o local. Da mesma forma que o protesto desta segunda-feira, os organizadores alegaram que o ato servirá como mais um "grito contra a corrupção e por serviços públicos mais dignos''. Na sexta-feira (19) o governador Sérgio Cabral não se mostrou preocupado com a ameaça de protestos durante a visita do papa Francisco. Após confirmar que receberá o pontífice segunda-feira no Palácio Guanabara, ao lado da presidente Dilma Rousseff, Cabral disse que atos de vandalismo não terão vez frente ao esquema de segurança e aos milhares de peregrinos esperados na cidade. — Confirmo a visita do papa no Palácio [Guanabara], com a Dilma o Michel Temer [vice-presidente] e outras autoridades. Tenho certeza que todos receberão o papa de braços abertos. O clima será de fraternidade, amor e carinho. Se vândalos tentarem prejudicar os eventos, não o farão. Não só pela presença da segurança na cidade, mas também pelo calor humano da população. Reforço militar e mascarados O general José Alberto da Costa Abreu, coordenador de Defesa de Área do Exército, disse, na última quinta-feira (18), que pessoas mascaradas ou com cartazes relacionados a protestos não poderão circular pelo Campus Fidei, em Guaratiba, zona oeste do Rio, local preparado para receber os peregrinos durante a Jornada Mundial da Juventude. Durante a visita do Papa Francisco ao Brasil, que ocorrerá até o dia 28 de julho, foram destacados 13,7 mil homens, sendo 10,2 mil das Forças Armadas, 1.300 da Força Nacional de Segurança e o restante das demais instituições públicas de segurança, entre policiais federais, militares e civis. No Rio, foram convocados 10.200 soldados, sendo que 7.000 atuarão em Guaratiba, onde o pontífice fará a aparição final e rezará uma missa. O restante ficará aquartelado e poderá ser acionado em caso de emergência. Para a missa e a vigília em Guaratiba, serão colocados em torno do altar 400 militares do Exército. Todos à paisana. Outros 800 militares, fardados, mas sem arma, circularão pelo campus. Também haverá agentes em torres de observação. A segurança se estenderá ainda a um raio de 4 km em relação à área de concentração de religiosos. Em Copacabana, onde o Papa participará de dois eventos nesta semana, a segurança ficará a cargo da Polícia Militar do Rio. Clima de tensão A visita do papa Francisco ao Brasil ocorre em momento delicado tanto para a igreja católica quanto para os políticos brasileiros. No sábado (20), a revista italiana L'Espresso revelou o "escandaloso caso de amor" entre o monsenhor Battista Ricca, nomeado pelo papa Francisco para um cargo estratégico no Banco do Vaticano, e o capitão da guarda suíça Patrick Haari. Tal revelação engordou a lista de críticas à condução do Vaticano, que há anos convive com casos de corrupção e pedofilia.

Nenhum comentário: