segunda-feira, 22 de julho de 2013
Excelência no atendimento acaba lotando UPA da zona norte de Porto Alegre
Pacientes chegam a esperar até quatro horas por atendimento em Unidade de Pronto Atendimento, criada para desafogar o Hospital Conceição.
A sexta-feira até que foi calma no mais moderno prédio da rede de saúde básica da Capital, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Moacyr Scliar, situada nas proximidades do Triângulo da Avenida Assis Brasil. Foram cerca de 400 pacientes examinados, pouca fila e alguma espera, nada que superasse uma hora e meia. Mas nem sempre é assim.
Nas segundas e terças-feiras é comum a espera de quatro horas ou mais por atendimento. Culpa não da UPA, mas da excelência do serviço que ela apregoa. Vai gente de toda Zona Norte para lá – e isso não é pouco, em se tratando da região mais populosa da Capital. É que a UPA foi criada justamente para desafogar hospitais como o Conceição, do qual ela é uma espécie de extensão na área de saúde básica. A verdade é que o Conceição continua superlotado, e a UPA começa a sofrer do mesmo mal. Há dias, no auge do inverno, em que a espera atinge oito horas. Os 12 leitos estão sempre cheios, os quatro consultórios clínicos também, o gabinete do dentista, idem... os dois pediatras, também. À noite (a UPA é 24h), o movimento cai.
O entregador de gás Edmar Lemos Borges, por exemplo, chegou por volta das 10h, vindo da divisa com Alvorada. Sentia fortes dores no abdômen. Foi atendido em 20 minutos, fez exames de sangue e urina e esperou. Esperou. Esperou... Ao reclamar, disseram que deveria aguardar mais um pouco, até o médico receber de volta os testes, para dar algum diagnóstico.
Dor de dente era o problema do vendedor Anderson Fernandes, na sexta-feira. Ele chegou com o rosto inchado na UPA e foi atendido depois de duas horas. Era a segunda tentativa da semana: na outra vez, quarta-feira, esperou quatro horas e foi embora, após desistir da consulta. Desta vez conseguiu. O médico receitou um antibiótico e um analgésico.
– Pelo menos não gastei com a consulta – comemorou, ao sair.
Pâmela Sabrina Lopes, 19 anos, entrou na UPA Moacyr Scliar após as 21h, mas com perspectiva de demora para ser recebida por um médico, conforme dito pela atendente, mesmo com a sala de espera estar distante da lotação. Com a filha de dois anos no colo, a dona de casa disse que já chegou aguardar por mais de quatro horas:
– Acho que tem pouco médico para muito paciente.
O sucesso da UPA está nos números. Foram 100 mil atendimentos nos últimos nove meses. Com espera média de 80 minutos, menos que a maioria dos hospitais.
CONTRAPONTO
ZH perguntou à administração da Unidade de Saúde se é comum essa espera. Por exames, sim, admite Alvarin de Souza Severo, o coordenador administrativo do posto. É que as amostras dos pacientes são enviadas e examinadas em laboratório, antes de retornar para o médico que cuida do doente.
Os pacientes são examinados de acordo com o Protocolo de Manchester, uma lista colorida de prioridades: vermelho (risco de vida, atendimento imediato), laranja (urgente, pode levar até 30 minutos), amarelo (potencialmente urgente, em até uma hora), verde (não urgente, em até duas horas) e azul (por ordem de chegada, até quatro horas).
– Em tese, quem é classificado no azul nem deveria vir aqui, deveria ir a um posto de saúde simples. Mas a gente atende. Aqui se fazem pequenas intervenções cirúrgicas e atendimento de emergência dentário também – informa Severo.
ZERO HORA
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