sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Religiosos, porque vocês são tão especiais!

Neste mesmo momento existe um mulçumano em sua mesquita, ao acordar ele fez suas alusões diárias, se posiciona em direção à Me
ca e agora se prostra para adorar o seu deus, o seu livro sagrado afirma que o seu procedimento é o correto e que seu dogma é indiscutível, mesmo em seus piores dias, ele guardar seu tempo para a oração e para estudar o Corão.
Seus ensinamentos aduzem, sem sombra de duvidas, que Cristo não era o filho de deus e quem assim considerar, será punido por isso. Do outro lado do Mundo, um cristão se ajoelha no átrio do seu templo em adoração a Jeová, assim como o primeiro religioso, ele obedece espartanamente os rituais e ordenamentos do seu livro de inspiração divina: separa seu dízimo, se confessa, jejua, bebe do sangue e come do pão abençoado aos domingos. Ele também acredita de forma fidedigna que isso é o melhor há se fazer, afirma que tal postura é seu Norte e deve ser a sua maior ambição desta vida.
Já reparam que existe um problema aí? E esse problema, é intransponível.
Ou um está certo, ou não está. Ou Cristo era mesmo filho de deus, ou não era.
Se um está certo, o outro está errado. A pergunta é simples, mas a resposta nem tanto, pelo menos, para quem não é religioso.
Notem que nem o cristão e nem o mulçumano se preocupam se o outro pode estar certo, vez que ambos sabem possuir a verdade, sim: o religioso afirma ter a certeza de que está certo, isso faz parte do seu dogma, a dúvida não é desculpável, não há virtude na dúvida, aqui, a dúvida se supre com a fé e não com evidências, quanto mais fé, mais virtude e mais certeza. O problema, é que o problema continua lá.
Mas existe um problema ainda maior, o cerne da questão é que o religioso usa sua crença como catapulta como alavanca para seus atos, seus livros os ensinam que seus credos devem ser espalhados epidemicamente, doutrinados em crianças, desposados como verdades indiscriminada e inexorável. Ambos os livros, o Alcorão e a Bíblia, apesar de contraditórios, aduzem que só existe uma verdade e que tal verdade está acima de qualquer julgamento e de qualquer lógica.
Tais alfarrábios que foram redigidos em um tempo em que se acreditava que cuspir em feridas, por exemplo, podia curá-las, por gente de um conhecimento menor do que de uma criança de 12 anos de hoje, não permite contestação nem é fundamentada. Existe o pretexto e a argumentação de que seus textos contêm instruções transmitidas pelo criador e senhor supremo e, para eles, isso parece ser suficiente.
Ambos os deuses: o mulçumano e o cristão são invisíveis, imóveis, omissos, vingativos, oniscientes, inescrutáveis. Ambos os deuses possuem crimes em suas costas, tragédias em seus espólios, ambos os deuses te ordenam que creia, que engula sem água, que se ajoelhe, ambos os deuses te comandam para que se entregue e afirma que resistir é inútil e até perigoso.
Assim como a embalagem de cereal ou o ovo de chocolate recheado, eles prometem prêmios secretos, secretos, pois nunca ninguém os viu, não se conhece ninguém que tenha descontado o cheque, quanto mais consumo do produto, maior a possibilidade de conseguir o prêmio eterno em uma loteria divina onde a punição por não se acertar os seis números, é claro, a tortura eterna.
Mas quem disse que o cristão se preocupa se o mulçumano achou um regramento mais inteligente? Quem seria tolo de apostar que o islâmico ficou sem dormir ou comer suas tâmaras por conta da regra de ouro? Isso não é relevante.
Apesar da pergunta restar de pé, exigindo ser respondida e causando recorrentes perdas para a humanidade, a questão escava pronta para atacar e destruir a tudo, tal qual um búfalo em uma loja de porcelana e essa pergunta é:
Quem possui a verdade?
Qual dogma realmente possui impressões oriundas do hálito celestial?
Me diga você que é religioso, isso não te preocupa?
Ironicamente, você ainda não se deu conta de que pode parar no inferno de outro Deus?
Claro que existe uma possibilidade a ser considerada e ela é expetacular, lógica, razoável, gregária em sua essência, bela em sua simplicidade, ela não te premia e não te condena, desafiadora desde o nascituro ela te pergunta: e se ambos estiverem errados?
Sim, considerem por um momento que deus não existe, isso não faz mais sentido do que seu deus pessoal? Isso não te parece mais real do que seu amigo imaginário do qual você se esquece quando, por exemplo, se masturba?
Aliás, olha hein, ele está vendo, não te esqueça do “Não desejarás a mulher do próximo”, seu onanista pecador.
Pois é, o quão difícil é aceitar que isso não faz sentido, estamos em pleno século XXI e se já era estúpido defender um ser imaginário que nunca deu as caras a dois mil anos atrás, a situação não ficou melhor agora. Será que não houve tempo mais do que suficiente para o teísmo apresentar suas considerações? Os métodos de que dispomos hoje não são suficientes para o amear e a avaliação de evidências não são confiáveis o bastante para separarmos o real do imaginário? Será que toda vez que ocorre um milagre ao redor do mundo não há um bendito de um cético com um celular na mão para tirar uma foto? Ou será que milagres simplesmente não acontecem, vez que seriam alterações das leis da física? O que lhes parece mais razoável?
O fato é que, se deus existe, faz questão de não se apresentar!
É fato também que é militar no sentido de não se importar com a humanidade: não resgata corpos no mar quando ocorrem naufrágios, não cura doenças, não diminui o desejo dos padres em sua paudurecência pedófila. Se algum corpo foi tirado do oceano, se a leucemia foi debelada, se o clérigo foi denunciado isso não teve nada haver com deus, isso foi trabalho dos homens, mas se não são capazes de mostrarem a verdade do que afirmam, por que então, vocês religiosos se matam entre si? Por que os seus livros são apresentados como se fossem o que existe de mais nobre e moral já escrito ao longo da história? Por que os camparam os bradando no ar como se medissem, por exemplo, o tamanho do próprio pau? Por que vocês os usam para dizer que sua fé é maior e que sua mensagem é mais poderosa? Se não tem certeza, vez que não podem, por que o usam como desculpa para maltratar homossexuais, mutilar prepúcios e clitóris ao redor do mundo? Por que usam os mesmos livros para nos separarem em cores, ou em castas? Será que é injusto da minha parte perguntar por que nos dias de hoje, Jeová se preocupa mais com uma fimose do que com a fome na África?
Me desculpem, mas ao contrário de vocês, religiosos, eu não tenho certeza.
Admito isso, acho apenas improvável, aliás muito improvável face à ausência de provas e a pobreza de evidencias mas, ao contrário da religião que não abandona a arrogância, eu como ateu, afirmo que não tenho certeza, não acredito nem por um segundo, mas não posso dizer que tenho certeza. Isso seria desonesto e para um ateu, a desonestidade intelectual não pode ser aceita, lembremos que saber é diferente de crer e ressaltemos o que afirma Dan Barker, que de forma cirúrgica aduz que o ateísmo não afirma que a inexistência de deus está provada, mas sim, que a existência de deus não está provada e que na verdade, em qualquer argumento, o ônus da prova está do lado daquele que faz a afirmação.
Toda essa discussão é importante, mas como sempre o mais importante são as consequências, sendo assim, torno a perguntar:
Religioso, você poderia me responder qual de vocês possui a real verdade?
Depois de algum tempo refletindo, cheguei a conclusão de que a verdade nunca foi importante nessa seara. Sim, é claro que cada religioso, de cada credo gostaria de estar com a verdade, mas o problema de vocês não é com a verdade, nunca foi, o problema de vocês religiosos é com os fatos. A questão é simples; seus livros de cristalina antítese estão repletos de verdades não é mesmo? A merda é que os fatos não ajudam essas verdades, mas sério, de verdade, não vejo problema. Podem acreditar na mulher que prediz o futuro apertando os testículos de um bode, por exemplo, isso é com vocês. O problema começa quando essas verdades são impostas e disseminadas causando mal a outros seres humanos, o que importa mesmo, é que ao longo dos séculos, essas verdades de mentirinha, esse pó de pirilimpimpim tem matado muita gente. Aviões são jogados contra prédios para se defender a verdade islâmica, crianças sofrem lavagem cerebral em nome de verdades cristãs, apedrejamentos são praticados para honrar a verdade mulçumana e vacinas contra HPV são proibidas em nome das verdades evangélicas.
O que interessam os fatos!
A religião, ao longo dos séculos, nunca se importou com os fatos, mas pode ser que algum crente de plantão pergunte então:
Mas quais são os fatos?
Vamos a eles:
Os fatos são de que vocês religiosos não conseguem provar uma vírgula do que afirmam, mas matam uns aos outros de forma cíclica, rotineira e inevitável. Os fatos são os de que mais mortes se perpetuam em nome de deus do que por qualquer outro motivo e mesmo assim as evidências de suas verdades estão no nível de linitrato de polipeito, se não, vejamos:
• Judeus matam mulçumanos na palestina;
• Mulçumanos matam cristãos na Nigéria;
• Indus matam mulçumanos na Caxemira;
• No Sirilanca budistas matam Tamês hinduístas;
• Na Irlanda do Norte cristãos católicos matam cristão protestantes;
Podemos continuar a tarde inteira e enquanto isso a humanidade dá voltas em um carrossel de tripas e sangue onde a musica circense é substituída pelo engatilhar do AK47.
Já passou da hora de você, religioso, entender que o seu problema não é com a verdade, saiba que a verdade nunca pede em ser testada, em ser arguida, em ser comprovada.
Não.
A partir de agora você, religioso, saiba que seu problema, amigo teísta, não será mais em ser cobrado pela sua verdade, pedir a você responsabilidade sobre suas verdade seria errado de nossa parte, seu verdadeiro problema foi, é e sempre será com a mentira, daqui pra frente lembre-se, que a cada sessão de descarrego, a cada unção não atendida, a cada milagre não comprovado, a cada batina manchada de sêmem e vergonha, a cada homossexual espancado com a benção de Levítico e Deuteronômio, a cada negro colocado de lado em função da sua cor, a cada mensagem mediúnica de revista Caras, a cada despacho não aceito pelo santo, a cada criança infibulada, a cada cápsula deflagrada e que atingir a cabeça de outro ser humano de fé como você em nome de seu deus e da sua verdade, nós ateus, vamos estar lá para te lembrar: esqueça as verdades, religioso, você tem problemas com as mentiras.

Texto de H. P. Charles

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