Um inquérito civil público denuncia a desorganização da festa
Para matar a saudade de casa, os marinheiros cariocas recorreram ao samba. No Morro da Caixa, onde os funcionários do 5° Distrito Naval fixaram moradia na década 40, nasceu uma tradição: o carnaval de rua. Com o tempo alguns blocos ganharam fama e se consolidaram no calendário carnavalesco da Ilha. O bloco Engenho de Dentro, de Sambaqui, é um deles. Mas, por interferência da justiça a bateria pode não retumbar por aquelas bandas no próximo ano.
A motivação do inquérito civil público é a desorganização do evento que fecha a principal rua do bairro, impedindo que os moradores voltem para casa, por isso pode ser suspenso. Num trajeto de três quilômetros, cerca de 30 mil foliões acompanham o desfile dos carros alegóricos que começa às 21h e adentram a madrugada. A festa se prolonga por dois dias.
O Engenho de Dentro foi fundado em 1995 e promove a festividade. Manoel Cândido da Luz, o Marreco, é um dos dirigentes do bloco, e estará presenta na sala do promotor Daniel Paladino, sexta-feira, às 15h, para explicar que a festa popular é uma construção comunitária, que preserva a história do bairro e estimula a vida cultural da cidade.
A Polícia Militar também comparecerá a discussão. A rua estreita que recebe a festa traz preocupações para os agentes da segurança pública. Ano passado duas pessoas foram baleadas. Noutro ano um homem foi morto. No aglomero, não foi possível evitar o crime.
A Associação de Bairro do Sambaqui não é contra o carnaval, mas sugere que mude de endereço, diante da frequência de reclamações dos moradores. A presidente da entidade civil, Sílvia da Conceição Blasi crê que se o bloco mantivesse o festejo depois da entrada da Rua Isid Dutra, que leva a Barra do Sambaqui, ofereceria uma alternativa aos moradores.
A mudança é simples e será avaliada. Os moradores estão no ritmo do samba do criolo doido: não há entendimento sobre o fato.
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